Setembro Amarelo: falar salva vidas
Publicado a 7 de setembro de 2026
Todos os anos, Setembro é assinalado internacionalmente como o mês de prevenção do suicídio. A ACRISD junta-se a esta campanha porque acredita numa ideia simples e poderosa: uma conversa, feita a tempo, pode pesar mais do que mil silêncios.
O suicídio continua a ser um tema envolto em desconforto e silêncio, mesmo quando os sinais estão à nossa frente. Isolamento súbito, tristeza que não passa, mudanças de humor ou de apetite são, muitas vezes, pedidos de ajuda que passam despercebidos. Reconhecer estes sinais é o primeiro passo para podermos agir.
Falar sobre o tema não é, como por vezes se pensa, um risco. Perguntar directamente a alguém como está, sem rodeios, não coloca a ideia na cabeça dessa pessoa — pelo contrário, mostra que nos importamos e abre espaço para que ela se sinta à vontade para partilhar o que sente. E, uma vez aberta essa conversa, o mais importante é escutar até ao fim, sem interromper e sem julgar. Não é preciso ter as respostas certas; é preciso estar presente.
É também importante evitar frases que, mesmo bem intencionadas, acabam por minimizar a dor de quem está a sofrer — como "isso passa" ou "não é assim tão grave". Validar o que a pessoa sente é, muitas vezes, mais útil do que qualquer conselho. E sempre que possível, o passo seguinte deve ser ajudar essa pessoa a procurar apoio profissional, acompanhando-a, se for preciso, até uma linha de apoio ou a um profissional de saúde mental. Ninguém tem de resolver isto sozinho — nem quem sofre, nem quem apoia.
Para quem precisar de apoio imediato, ou conhecer alguém que precise, Moçambique dispõe de linhas de apoio gratuitas do Alô Vida: Vodacom (84146), Tmcel (82149 ou 1490), Movitel (1490) e Pensa (*660#). A ACRISD reforça ainda o seu próprio canal de salvaguarda, disponível em salvaguardas@acrisd.org, para quem quiser reportar uma situação de risco ou pedir orientação.
Este Setembro Amarelo, a ACRISD deixa um convite simples: olhe à sua volta, repare nos sinais, e, se for preciso, seja a pessoa que pergunta, que escuta e que acompanha. Ninguém devia enfrentar isto sozinho — e, com um gesto seu, talvez não precise.