A Associação para Coesão, Resiliência, Inclusão Social e Desenvolvimento (ACRISD) nasce num momento decisivo para Moçambique e, particularmente, Cabo Delgado.
A nossa história
Nascida do terreno, construída para ficar
Como a ACRISD passou de um grupo de pessoas a caminhar entre comunidades a uma associação com governação própria — e o que vem a seguir.
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Uma província em transformação
Há histórias que começam numa sala de reuniões. A nossa não é uma delas. A história da ACRISD começa nas estradas de terra batida de Cabo Delgado, nos mercados improvisados junto aos locais de reassentamento, nas conversas à sombra de uma mafurreira com quem já não tinha casa para onde voltar. Começa, sobretudo, na província que a viu nascer. Desde 2017, Cabo Delgado enfrenta um conflito armado que provocou uma das maiores crises de deslocamento interno do continente africano, empurrando centenas de milhar de pessoas para distritos como Pemba, Metuge, Chiúre, Ancuabe e Mecúfi. A esta crise humanitária somou-se, com o tempo, a vulnerabilidade climática de uma província costeira, exposta a ciclones cada vez mais frequentes e a fenómenos como a intrusão salina em aquíferos junto ao mar. Foi no meio desta dupla pressão que um grupo de moçambicanos, com raízes na província e anos de proximidade com as suas comunidades, chegou a uma conclusão simples e exigente: Cabo Delgado não precisava de mais uma organização de passagem. Precisava de gente que ficasse.
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Antes de termos um nome, já caminhávamos entre comunidades
Muito antes de existirem estatutos, actas ou um logótipo, já havia pessoas — as mesmas que mais tarde fundariam a ACRISD — a percorrer comunidades de acolhimento e locais de reassentamento como voluntários, a ouvir líderes locais, a mediar pequenos conflitos entre famílias deslocadas e famílias anfitriãs, a ajudar a organizar reuniões comunitárias sem qualquer estrutura formal por trás. Não havia financiamento, nem contrato, nem sequer um nome para o que estava a ser feito. Havia apenas a convicção de que a confiança de uma comunidade não se pede por carta — conquista-se estando presente, repetidamente, mesmo quando ninguém está a filmar ou a medir indicadores. Foi esse tempo de proximidade informal, feito de escuta e de presença, que ensinou às pessoas que hoje lideram a ACRISD uma lição que nenhum manual de desenvolvimento comunitário substitui: as comunidades de Cabo Delgado não são um público-alvo a estudar à distância, são vizinhos, parentes, gente com nome e memória de um lugar. Com o tempo, aquilo que começara como voluntariado espontâneo começou a ganhar forma: mais pessoas juntaram-se, mais comunidades pediram apoio, e tornou-se evidente que aquele trabalho informal merecia — e precisava — de uma estrutura à sua altura.
A confiança de uma comunidade não se pede por carta — conquista-se estando presente.
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A decisão de construir, primeiro, a nossa própria casa
Muitas organizações da sociedade civil nascem de uma urgência de terreno e só, com o tempo — por vezes tarde demais — organizam os seus estatutos, regras internas e sistemas de gestão financeira, arriscando aprender à custa dos seus próprios erros, com comunidades reais a pagar o preço desses erros. A ACRISD escolheu um caminho diferente: antes de escalar a nossa actuação e de pedir a doadores e parceiros que confiassem em nós recursos, quisemos garantir que tínhamos as bases certas para gerir essa confiança com rigor, desde o primeiro dia. Ao longo dos últimos meses, isso significou um trabalho intenso e, quase sempre, invisível para quem está de fora: rever e aprovar Estatutos, criar um Regulamento Interno, construir um Manual Operativo, um Manual de Gestão Financeira e Controlo Interno, um Manual de Aquisições e Gestão de Fornecedores, um sistema de Monitoria, Avaliação e Aprendizagem, e um conjunto de políticas de salvaguarda, protecção de dados, conduta e anti-fraude. Nenhum destes documentos, por si só, ajuda uma única família deslocada — mas cada um deles fecha uma porta a um erro de gestão, a um conflito de interesses, a um abuso de confiança que poderia custar caro precisamente às comunidades que nos propomos servir.
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Seis pilares para uma visão
Este processo, discutido passo a passo com os nossos próprios associados, culminou na Assembleia Geral Ordinária de 15 de Agosto de 2026, em que estes instrumentos — a par do Plano Estratégico 2026–2030 e dos orçamentos institucionais para 2026 e 2027 — foram debatidos e aprovados, com o quórum estatutário verificado. Foi, sem exagero, o dia em que a ACRISD deixou de ser apenas uma intenção partilhada para se tornar uma associação com regras, responsabilidades e órgãos sociais claramente definidos. Todo este trabalho de consolidação serve um propósito que já não é abstracto para nós, porque nasceu de anos de observação directa: o Plano Estratégico 2026–2030 organiza a nossa visão em torno de seis pilares — coesão social e construção da paz; resiliência climática e gestão de riscos; inclusão social e protecção; desenvolvimento económico e meios de vida; governação local e participação cívica; e fortalecimento institucional, o pilar transversal que sustenta todos os outros.
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Onde estamos hoje, e o que ainda está por escrever
Hoje, a ACRISD é uma associação com governação própria, aprovada pelos seus órgãos sociais, com estatutos, políticas e um plano estratégico que já não vivem apenas na cabeça de quem os pensou, mas em documentos aprovados e assinados. É um ponto de chegada — mas, mais importante ainda, é um ponto de partida. As parcerias que continuamos a cultivar, as candidaturas a financiamento que estamos a preparar, e as equipas técnicas que estamos a estruturar são, todas elas, formas de dar escala àquilo que começou, muito antes, como um punhado de pessoas dispostas a caminhar até à comunidade seguinte. Não antecipamos aqui resultados que ainda não estão decididos, nem prometemos prazos que não dependem só de nós. Mas também não escondemos o caminho percorrido até este ponto, porque é esse caminho — feito de voluntariado, de escuta e, só depois, de estatutos — que nos torna diferentes de uma organização criada de um dia para o outro para responder a um edital de financiamento. A nossa história está, por isso, longe de estar escrita. Este é o relato de como começámos, e de como escolhemos começar bem — pela nossa própria solidez institucional — antes de pedirmos às comunidades de Cabo Delgado que confiem em nós para mais.
O capítulo seguinte, sobre os primeiros projectos de terreno da ACRISD, escreve-se a partir de agora — e continuaremos a contá-lo aqui, à medida que for acontecendo.
Objectivo Geral
Contribuir para o fortalecimento da coesão social, da resiliência comunitária e da inclusão social, promovendo o desenvolvimento sustentável e participativo das comunidades, através de acções integradas que reforcem a protecção, a governança local, os meios de vida e a capacidade institucional para enfrentar desafios sociais, económicos e ambientais de forma digna e equitativa.
Missão
Promover coesão social, resiliência comunitária, inclusão e desenvolvimento sustentável, fortalecendo capacidades locais e garantindo que todas as pessoas, especialmente as mais vulneráveis, participem de forma activa e segura nos processos de transformação social.
Visão
Ser uma referência nacional e regional em iniciativas que integram protecção, inclusão e sustentabilidade, contribuindo para comunidades resilientes, solidárias e capazes de enfrentar desafios sociais, económicos e ambientais com dignidade e equidade.
Valores
Coesão
Trabalhar em união, promovendo diálogo e colaboração entre comunidades e instituições.
Resiliência
Fortalecer capacidades locais para enfrentar crises e reconstruir de forma sustentável.
Inclusão Social
Garantir igualdade de oportunidades e respeito pela diversidade.
Desenvolvimento Sustentável
Integrar crescimento económico, justiça social e protecção ambiental.
Transparência e Ética
Actuar com responsabilidade, integridade e prestação de contas.
Empoderamento Comunitário
Valorizar o protagonismo das pessoas e das comunidades nas decisões que as afectam.